Do ponto de vista dos bebedores de café existem duas espécies principais, assim como duas espécies menores dentro desse gênero. O Coffea arábica, que Lineu identificou em 1753, produz grãos arábicos e é o café de maior qualidade do mundo, e o único que se deve beber por si só, sem quaisquer misturas. O Coffea canephora produz os grãos da variedade robusta, que se utilizam amiudadas vezes para se obter uma espécie arábica mais alargada. As duas espécies menores abrangidas no gênero C. liberica e C. excelsa, as quais produzem respectivamente os grãos liberica e excelsa.
Arábica
As duas variedades mais conhecidas da C. arabica são a Típica e a Bourbon, apesar de se terem desevolvido muitas estirpes, incluindo a Caturra, a Mundo Novo, Tico, a San Ramon e talvez a mais famosa, a Montanha Azul da Jamaica. A planta média da arábica é um arbusto maciço com folhas ovais de um verde-escuro. Os frutos também são ovais e habitualmente contêm duas sementes planas.
O termo robusta deriva na realidade de uma variedade da C. canephora que se cultiva em grande escala. Trata-se de um arbusto robusto ou uma pequena árvore que chega a atingir os dez metros de altura ou mais, mas possui um sistema radicular pouco profundo. Os frutos são redondos e necessitam de onze meses para amadurecerem. As sementes são ovais e um pouco mais pequenas do que os grãos da arábica. O café robusta é cultivado na África Ocidental e Central e, até certo poto, no Brasil, onde é conhecido pelo termo Conilon.
Os cafeeiros liberica desevolven-se fortes e atingem grande altura, até aos dezoito metros. Têm folhas largas e rugosas; os frutos e os grãos também são avantajados. O café liberica é cultivado na Malásia e na África Ocidental, mas a sua produção é bastante reduzida, uma vez que a procura do seu sabor individual é baixa.
De momento, o café arábica representa cerca de 70% da produção mundial, todavia a proporção do robusta está a aumentar, em grande parte devido as quotas de produção mais vantajosas que os cafeeiros robusta produzem. Outro fator importante é que os pés de café arábica são mais propensos à doença do que os que produzem grãos robusta.
Robusta
Tanto os cafezais de arábica como os de robusta produzem uma colheita após três ou quatro anos do plantio, sendo rentáveis por um período entre vinte e trinta anos, dependendo das condições e dos cuidados. Daí para a frente, as plantas terão de ser substituídas. Ambas as espécies exigem muito sol e chuva. Os pés de café arábica preferem um clima sazonal que varia dos 16º aos 24º C; a robusta dá-se bem em condições climatéricas equatoriais, com temperaturas mais constantes entre 24º e 29º C. Tanto uma espécie como a outra morre quando as temperaturas descem abaixo de zero, embora os cafeeiros arábica sejam mais resistentes; ambos necessitam de uma queda anual de chuva na ordem do metro e meio.
A maneira tradicional de plantar pés de café, consiste no plantio adequado de árvores junto dos cafeeiros, proporcionando-lhes sombra e protegendo os frutos em desenvolvimento do sol mais quente. Esta medida também limita os prejuízos que os raios solares diretos poderão causar; as árvores também ajudam a conservar a humidade no solo. As técnicas mais modernas utilizam a irrigação e os fertilizantes, o que requer investimento; portanto, tem de ser rentável em termos de produção e de valor acrescentado, pelo que esta técnica só é realmente viável em plantações de grandes dimensões.
O café é cultivado em vastas plantações, assim como nas clareiras mais pequenas das florestas e em cafezais de quase todos os tamanhos sem esquecer os pequenos espaçõs pelo meio. Por exemplo, no Brasil e na Guatemala existem plantações de grandes dimenções que se dedicam apenas ao cultivo de cafezais. No Brasil em especial, utilizam-se cada vez mais máquinas na apanha. As grandes plantações têm capacidade para produzir quotas elevadas, mas também têm custos elevados de capital e de mão-de-obra; em relação às de proporções mais reduzidas verifica-se o inverso.
As duas grandes variáveis na produção de café são a mão-de-obra e o preço da terra. Os custos da primeira poderão ser atenuados através da utilização de métodos modernos, incluindo o uso de fertilizantes, herbicidas e pesticidas, mecanização e irrigação. Mas tudo isto exige investimento.
(Fonte: Guia do Café, Jon Thorn)